Servido às onze!

Mudanças e lembranças (parte1)

Janeiro 15, 2009 · 6 Comentários

O mundo está mudando. A cada giro que este planeta da em torno de si mesmo, milhares de coisas estão sendo inventadas e reinventadas.Super 8
Eu me lembro dos primeiros anos da década de noventa muito vagamente e as fotos polaróides fazem parecer que esse tempo é ainda mais distante. E os vídeos então… As gravações em super 8 coloridas projetadas na parede do meu quarto parecem um sonho distante, ao mesmo tempo é como se eu pudesse tocar, cheirar, sentir aquela época com todas as minhas forças e quando acaba a fita só me resta sentir aquela saudade alucinante, as lembranças são muito mais intensas depois que você assiste…
Então pra não perder minhas tão preciosas e primeiras lembranças do Brasil para fungos de fita e amarelamento de foto instantânea resolvi digitalizar tudo.
Tenho tudo no meu HD.

Mas de jeito nenhum isso tem a mesma graça… Sei lá o porquê. Existe um romance, um ritual, uma coisa, em colocar o filme no projetor, afastar os móveis, puxar o sofá, pegar uma pipoca, abraçar uma almofada e botar pra tocar e assistir ao grande ganhador do seu Oscar particular que fala a respeito da sua vida, das pessoas e dos lugares que você ama.

Ainda guardo a filmadora super 8 no meu armário, de vez em quando olho pra ela com uma vontade louca de pegá-la e sair filmando, o que seria um problema pois eu queria gravar com som e as fitas sonoras se tornaram uma raridade depois que foram consideradas prejudiciais ao meio ambiente. O mais interessante de tudo isso é que eu também tenho uma puta câmera digital, e se eu a peguei pra filmar três ou quatro vezes foi muito.

cassette02Eu ainda peguei a época do vinil, mas meu pai tinha várias fitas trazidas da União Soviética. Ele ainda tem essas fitas, mas não abre mão de jeito nenhum, e essas não valem a pena digitalizar, pois tenho tudo em CD, o que já é um atraso porque basta uma pesquisa rápida pra achar tudo em mp3 e baixar em minutos, o que continua sendo um atraso, porque se sua conexão for melhor que a minha você pode baixar em segundos!
Sem sair de casa, sem pagar por isso (o que é crime, mas ninguém liga), e rapidamente.

Os anos 80 e 90 foram juntos a era da mídia. Toda a informação, todos os sons e imagens necessitavam de um treco desajeitado que tinha que ser levado pra lá e para cá. Com o tempo os trecos começaram a ficar um pouco menos desajeitados com o vinil e a fita  cassette sendo substituídos pelo CD, e depois pelo DVD com toda sua alta resolução e formato MPEG2…
D’us…
O tempo ta passando mesmo. Esqueci que já inventaram o Blu Ray.

Hoje nenhuma mídia digital depende de algo que a armazene o que facilitou muito a pratica da pirataria.
A industria da música ruiu completamente. Não vale mais a pena nem contar o número de cópias que um artista “X” vendeu no ano. Se compararmos com a época de ouro das mídias portáteis percebemos no que essa evolução tecnológica deu.

Ainda sim as pessoas continuam consumindo quase no mesmo ritmo de antes, o que acontece é que a grana não chega na mão das gravadoras nem dos artistas, no caso. E essa mudança atingiu outros nichos e mercados.
E é justamente a solução para isso que andou me chamando a atenção, e é sobre isso que trata a continuação dessa postagem.

Obrigada por ler meu blog e pela paciência (esse texto ta grande e exaustivo, eu sei).
Mary Ann.

Nota:
Vídeo do grupo Teamfagott.

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6 respostas Até agora ↓

  • maryannbomb // Janeiro 15, 2009 às 6:39 pm | Responder

    Leitores do Blog;
    O documentário sobre o nosso amigo Forrest continua depois da continuação desse artigo(que vai ser postada hoje mesmo). Desculpem por essa confusão, é que tinha um rascunho desse texto escrito a mão num caderno velho que eu havia perdido.
    Epero que tenham gostado. Como podem ver esse artigo é um pouco mais sentimental e romantizado devido algumas reflexões que tenho feito e esses sentimentos têm me sufocado um pouco então resolvi publicá-lo.
    Obrigada.

  • Felipe . // Janeiro 15, 2009 às 6:48 pm | Responder

    Eu sinto um pouco dessa nostalgia também, mas ela não ocorre quando eu percebo os avanços tecnológicos tão presentes e passados, mas sim quando paro para ver desenhos animados com meu irmão pequeno. Lembro da minha infância e sinto saudades.

    Ótimo texto. Não o achei exaustivo, sinceramente.

  • Potenkin // Janeiro 15, 2009 às 10:51 pm | Responder

    A primeira vez que pratiquei o meu hobby favorito foi em 2000, eu era um pouco mais criança do que sou hoje, morava ainda no Detrito Federal, usava uma câmera Yashica ou sei lá o quê, de filme e sem zoom nenhum, fui ao aeroporto Juscelino Kubitschek, subi ao terraço e tirei uma foto, não lembro ao certo qual avião era, ou a empresa, e não sei onde está tal foto, mas sei que foi a primeira vez que pratiquei meu hobby, minutos depois embarcava par a cidade onde estou agora, iria ver minha avó e familiares, passei 2 semanas, tive dengue, voltando para Brasília com a então novata, pequena e simpática Gol Linhas aéreas, enquanto esperava o vôo tirei mais algumas fotos ruins de uma aeronave que passava ao fundo, era um Boeing 737-300 da finada Transbrasil, foi então minha segunda foto.
    Só vim a retornar a fazer fotos de avião em 2002, quando peguei mais um vôo da então crescente e eficiente Gol linhas aéreas, ao pousar no velho Santos Dumont, tive a nostalgia de desembarcar pela escada, peguei a câmera, agora uma Canon analógica com zoom fraco mas muito boa, e fui à luta, tirava foto de tudo o que eu via, o album é insano, tem angulos completamente malucos e em uma foto dá para ver um mecânico dentro do trêm de pouso do avião.
    Conforme o tempo foi passando fui aprimorando a técnica, entrei na era digital no fim de 2003, ganhei uma Sony DSC T1, uma câmera digital de bolso, 5mp, um luxo para a época, uma porcaria ao passar as fotos para o computador, ia ao aeroporto todo fim de semana e feriado, tirei fotos de aeronaves da Gol linhas aéreas, uma grande e consolidada empresa aérea brasiliera, tirei fotos da comitiva do então presidente russo V. Putin que veio num belo Ilyushin62 da Rossiya State Company, empresa criada por ele mesmo.
    No fim de 2005 dei mais um passo para a modernidade, minha mãe foi à Itália e da terra de Berlusconi trouxe uma Canon S2 IS, uma câmera semi-profissional, com um ótimo zoom ótico e preço agradável. Com ela eu expandi meus horizontes, viajei, fui 4 vezes para São Paulo só pra aumentar meu portifólio com empresas que não vemos aqui, em Guarulhos fotografei aviões da Gol Linhas aéreas, uma empresa grande, confusa e cambaleante, seu dono está sendo investigado por crimes como assassinato e escravidão, novas regras da ANAC vão de encontro à situação que a empresa passa com atrasos e malha apertada de vôo e pra piorar, já ostenta um acidente em sua história.
    Em meados de 2007 minha S2 registrou um IL96 e um IL62 da Cubana na mesma semana, a delegação daquele país estava chegando para o Pan Americano. Uma semana depois me deparo com a notícia que atletas cubanos estariam planejando uma deserção com isso voltariam mais cedo para Havana. Mentira. O IL62 veio um dia antes do previsto e foi embora um dia antes do previsto, tenho até hoje o papel anotado com informações do vôo, tenho registros da mensagem que recebi de um grande amigo me informando que a aeronave já estava chegando ao aeroporto e que era pra eu correr para fotografá-lo numa boa posição.
    Esse mesmo amigo, um senhor de idade me conta suas invejosas aventuras na aviação durante as décadas de 70,80 e 90. O que eu mais gosto de ouvir dele são as histórias que ocorreram quando a URSS vivia a perestróika, aviões da polonesa LOT iam para a Argentina fazendo escala aqui no RJ com pescadores que dias depois voltavam para Varsóvia com quilos de peixe fresco que deixavam a aeronave com um cheiro desagradável. Alemães orientais vinham passar uns dias no quente sol do verão carioca, vinham de Interflug, saudosa empresa. Mas nada supera a Aeroflot, diziam que cada vôo para uma cidade praiana brasileira (Rio, Recife, Salvador…) era uma festa, as pessoas viajavam cantando dentro da aeronave, bebiam até cair, a tripulação do vôo simulava um problema na aeronave só para que pudessem passar mais um dia em nossas praias….

    A tecnologia avança com o mundo, com as empresas, com as pessoas, felizmente temos equipamentos que hoje facilitam nossas vidas, infelizmente hoje temos nações que dificultam nossas vidas.
    Concluo que no fundo, eu só queria passar uma tarde no aeroporto, vendo aquele Aeroflot com bandeira vermelha ao lado de uma soviética bronzeada ao sol de Ipanema… sem minha câmera digital.
    Me contento em tirar fotos digitais de um avião da Gol, sozinho no quente e abandonado terraço do Tom Jobim.

  • maryannbomb // Janeiro 15, 2009 às 11:46 pm | Responder

    Seu texto me encantou! Você não tem noção, adorei o final poético, mas acho que isso não é trágico, meu caro. Continue fotografando sonhos, deixe que eles voem mais alto do que qualquer aeronave desse mundo.

    “Esse mesmo amigo, um senhor de idade me conta suas invejosas aventuras na aviação durante as décadas de 70,80 e 90. O que eu mais gosto de ouvir dele são as histórias que ocorreram quando a URSS vivia a perestróika”

    Eu ia dormir com histórias assim. =’)

  • Potenkin // Janeiro 16, 2009 às 2:21 am | Responder

    Me encanta você, gostei mto do seu post, não sabia que vc escrevia textos assim mais sentimentais, não que os críticos sejam ruins, pelo contrário são ótimos ! Mas realmente esse foi mto bom mesmo… esperando a parte 2.

    “Eu ia dormir com histórias assim. =’)”
    Dormir não, vc ia rir, são hilárias as histórias ! O cara tinha que escrever um livro =)

    “Continue fotografando sonhos, deixe que eles voem mais alto do que qualquer aeronave desse mundo.”
    Digo o mesmo pra vc, use mais sua digital, filme as coisas ruins que esse mundo tem para que futuramente seus amigos e familiares vejam como o mundo era um lugar desagradável. Grave as coisas boas para que fiquem na memória apenas como uma fase ruim da humanidade. Grave a super 8 funcionando, pode ser que um dia ela não funcione mais.
    Eu acredito, e vc ?

    Bjs

  • Roger // Março 13, 2009 às 5:39 pm | Responder

    Em algum lugar do espaço virtual…

    um conjunto harmonioso de letras, poetizando a imagem com químicas e viciantes palavras.

    Aquele garoto, portador de calças curtas, personagem urbano de filmes antigos não participa mais de nossas vidas…o virtual que vende o jornal…no virtual algumas de nossas palavras estão…no virtual o espaço pessoal oferecido ao coletivo, com químicas e viciantes palavras – temos um blog…
    o blog que pede mais textos…onde encontro mais um texto? adorei sua habilidosa pena

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