Galera, era pra esse texto ser uma resposta de uma postagem na EUA e o Mundo.
Como a resposta foi crescendo e crescendo… Resolvi postar aqui.
É completamente normal, que em épocas difíceis as pessoas se desloquem de seus paises para outros onde haja algum tipo de “promessa” ou onde não haja as tais dificuldades.
Ocorre geralmente em épocas de guerra, conflito ou de cenário arisco como nas ditaduras, mas no mundo onde a economia de mercado impera não existe motivo maior do que a dificuldade econômica.
“Não importa qual filosofia você siga o que você faça ou deixe de fazer, viver é necessário, ganhar dinheiro é necessário, produzir é necessário e se em algum lugar existe mais oportunidades, é pra lá que você deve ir.” Pelo menos é o que dizem os mais velhos da minha família que viveram fugindo se não simplesmente se mudando de um lugar para o outro.
Não quero nem entrar na questão de julgar os latino-americanos, mas devo ressaltar que o hábito de se transferir de um lugar para o outro, atrás de dinheiro principalmente, não é oriundo do povo latino-americano.
Um ótimo exemplo é o Brasil, não o Brasil de hoje, e sim o do século XIX. Vieram pra cá nessa época; poloneses, ucranianos, suíços, entre outros e principalmente alemães e italianos, que vieram em massa pra cá no final do século XIX e começo do século XX tão como os japoneses.
Tendo em vista que isso é comprovadamente (digamos assim) “natural” do ser humano, por que só o povo latino-americano seria alvo desse julgamento?
Simplesmente porque esse julgamento também é natural.
Não é e nem será o povo latino-americano o único a ser vítima desse preconceito.
Todos os que por algum motivo se deslocaram junto com seus conterrâneos em número considerável para outro lugar sofrem preconceito, essa sim é a “realidade” que o Gianfranco tanto gosta de evocar. Mesmo que às vezes se trate bem determinado imigrante, existe sempre um consenso de que “todos são assim” mesmo que isso não incomode ou não seja negativo não deixa de ser um preconceito, porém na maior parte das vezes o preconceito é negativo e incomoda.
Eu acredito que quando há uma colisão entre culturas exista sim um sentimento de que o outro está agredindo sua cultura e seu ambiente.
E mesmo não compactuando com a forma que o Gianfranco trata do assunto, entendo que como quem viaja para outro país está em busca de recursos e grana deixa a impressão de que todos aqueles de determinado lugar são “mãos de vaca”, “mesquinhos”, “egoístas” e etc… Talvez isso explique o estereotipo do japonês, do judeu e do alemão mãos de vaca que existe aqui no continente americano.
Claro que na mão de figurinhas carimbadas da comunidade EUA e o Mundo que dizem odiar o Brasil esse comportamento previsível de gente intolerante sempre recorrente pega carona nos conceitos já pré-moldados na cabecinha deles…
Outro ponto importante é que o Gianfranco fala que os imigrantes agem como “parasitas” na Inglaterra ao mesmo tempo ele diz que esses vivem em função do trabalho, que por isso às vezes eles morrem sem que se note e que preferem fazer hora extra do que sair pra se divertirem. Que tipo de pessoa define alguém que trabalha tanto como “parasita”?
Seria ele um parasita se vivesse e usufruísse dos benefícios de um país sem nem levantar um dedo para isso, aí sim… Mas se o individuo trabalha numa freqüência tão alta como a descrita pelo Gianfranco ele merece usufruir dos recursos que forem, se não mais, certo? Principalmente sabendo-se que é para os próprios ingleses e para outros imigrantes (inclusive para o próprio Gianfranco) que eles estão produzindo.
A realidade não é sua amiga, não fale dela como se fosse.
Obrigada por ler meu blog!
Mary Ann.

1 resposta Até agora ↓
Glaucidium Brasilianum // Agosto 3, 2008 às 12:25 am |
Cara, muito bom o seu blog! Excelente esse texto.
Na hora em que esses europeus precisaram de nós, acorreram em massa pra cá. Agora que somos nós que deles necessitamos, nos fecham as suas portas.